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14 janeiro, 2016

Agora é oficial: Ibogaína só em hospital



Já faz muito tempo que a gente aqui no blog vem falando que é importante que o tratamento com ibogaína seja feito em ambiente hospitalar, por questões de segurança clínica.

Além disso, a gente também sempre insiste que é importante o acompanhamento de médico, e também o acompanhamento psicoterapêutico, além de exames de sangue e eletrocardiograma antes da aplicação.. mas muitas pseudo-clínicas por aí banalizam essas necessidades, argumentando que é exagero. Não é exagero não, é fundamental, o que acontece é que essas pessoas não entendem o suficiente do assunto para poder argumentar, e tem interesse em cobrar caro dos pacientes mas sem oferecer um bom serviço em troca.

Bem, sensibilizado com essa situação, o CONED SP (Conselho Estadual de Políticias Sobre Drogas) publicou hoje, 16 de Janeiro de 2016, no Diário Oficial do Estado, (Diário Oficial do Estado de São Paulo, v. 126, n. 8, Poder Executivo, Seção I, 14 de janeiro de 2016, p.8. ) resoluções que tornam a partir de agora, obrigatório que esse tipo de tratamento seja realizado em ambiente hospitalar, com acompanhamento médico e psicológico.

Parabéns ao CONED SP pela postura, essa atitude pode até salvar vidas.
Em breve, essa regulamentação será estendida a todos os outros estados.

E as pessoas que querem fazer esse tratamento em si mesmas ou em entes queridos, devem ter isso em mente, o tratamento com ibogaína é um procedimento médico que deve ser feito em um hospital.

Abaixo a íntegra do texto:

CONSELHO ESTADUAL DE POLÍTICAS SOBRE DROGAS

Comunicado 

O Presidente do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas – CONED-SP, em atendimento à deliberação adotada na 90º Reunião Ordinária de 29-10-2015, edita, nos termos do Art. 9º da Resolução SJDC-055, de 26-6-2013, os seguintes Enunciados: 

Enunciado CONED-SP Nº 01, de 29-10-2015 O uso de substâncias alucinógenas ou onirofrênicas para o tratamento do uso problemático de substâncias psicoativas deve ser considerado uma opção que exige investigação científica. 

Enunciado CONED-SP Nº 02, de 29-10-2015 A pesquisa científica com o uso de substâncias alucinógenas ou onirofrênicas, inclusive para o desenvolvimento de opções de tratamento para o uso problemático de substâncias psicoativas, deve ser estimulada financeiramente pelas instituições de fomento de modo a garantir a realização de pesquisas quantitativas, qualitativas e estudos clínicos aleatorizados controlados. 

Enunciado CONED-SP Nº 03, de 29-10-2015 Os compostos semissintéticos ou sintéticos baseados nos princípios ativos da Tabernanthe iboga e outras espécies do gênero Tabernaemontana (família Apocynaceae), devem ter o seu potencial terapêutico no tratamento do uso problemático de substâncias psicoativas investigado por intermédio de pesquisa científica. 

Enunciado CONED-SP Nº 04, de 29-10-2015 Os princípios ativos derivados da Tabernanthe iboga e outras espécies do gênero Tabernaemontana (família Apocynaceae), particularmente as formulações de ibogaína, somente podem ser administrados, para o tratamento do uso problemático de substâncias psicoativas, em ambiente hospitalar, com supervisão e controle médicos, atendendo ao exercício da profissão e às recomendações da boa prática clínica, incluindo criteriosos exames clínicos e psiquiátricos, bem como avaliação psicológica e acompanhamento psicoterapêutico.  

SÃO PAULO. Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas. Comunicado. Diário Oficial do Estado de São Paulo, v. 126, n. 8, Poder Executivo, Seção I, 14 de janeiro de 2016, p.8.




 


 

14 outubro, 2014

Querendo entender sobre ibogaína?

Nas últimas semanas o interesse das pessoas pela ibogaína tem aumentado, consequência de notícias promissoras vindas de uma pesquisa da UNIFESP que mostrou uma eficácia boa desse tipo de tratamento.

Assim, para facilitar, já que o Blog tem muitas postagens, aqui está uma lista das postagens mais importantes para quem quer começar a se informar sobre o assunto.


Desmistificando a ibogaína

Pensando em tomar ibogaína? Leia isto primeiro

Conselhos antes de fazer um tratamento com ibogaína

Cuidado com os tratamentos piratas!



Ibogaína na grande mídia

 
A reportagem abaixo se refere ao trabalho da equipe da UNIFESP e do Plantando Consciência que publicaram importante pesquisa.
 
 

Contra vício, pesquisa usa substância semelhante à ayahuasca

A pesquisa indicou que a ibogaína é pelo menos cinco vezes mais eficiente para interromper a dependência química do que tratamentos convencionais

Daniel Mello, da

              
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Terpsichore/WikimediaCommons
Preparo de ayahuasca

Preparo de ayahuasca: a ibogaína tem efeitos semelhantes aos da ayahuasca, mas é mais potente

São Paulo - Estudo feito pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicou que a ibogaína é pelo menos cinco vezes mais eficiente para interromper a dependência química do que tratamentos convencionais. A substância é extraída da raiz da iboga, planta encontrada em alguns países africanos.

“Ela é usada desde a pré-história em rituais por tribos no Gabão, na África, que professam uma religião que se chama bwiti. Eles usam essa planta em rituais de entrada na vida adulta”, explicou o médico Bruno Chaves, um dos responsáveis pela pesquisa, em entrevista à Agência Brasil.

O estudo foi feito com 75 pacientes, entre usuários de crack, cocaína e álcool, entre janeiro de 2005 e março de 2013. Dos 67 pacientes homens, 55% ficaram livres do vício por, pelo menos, um ano. Entre as oito mulheres, a taxa foi 100%.
Os tratamentos convencionais interrompem o vício em um índice que varia de 5% a 10% dos casos. Os resultados do trabalho inédito foram publicados no The Journal of Psychopharmacology, da Inglaterra, uma importante publicação na área de psicofarmacologia.
Os participantes da pesquisa eram pessoas com histórico de dificuldades em deixar o vício. “A gente tem pacientes nesse grupo que, com 30 anos de idade, registram mais de 30 internações”, exemplificou Chaves.
Eles passaram por uma avaliação psiquiátrica e uma preparação psicológica antes de serem submetidos ao tratamento. “É importante que o paciente esteja motivado para aproveitar o efeito da ibogaína”, acrescentou o médico sobre o processo de seleção.
A ibogaína tem efeitos semelhantes aos da ayahuasca, bebida feita de plantas amazônicas usada em cerimônias religiosas. “A diferença é que a ibogaína é muito mais potente do que a ayahuasca. Para você ter uma ideia, o efeito da ayahuasca dura quatro horas. A da ibogaína dura de 24 a 48 horas”, explicou Chaves sobre a substância, que causa a sensação de expansão de consciência.
"O paciente começa a perceber melhor o que ele representa na vida, qual é a função dele no planeta, quais são as coisas que está fazendo certo, o que está fazendo errado”, detalhou o médico que acompanhou os pacientes durante a administração da medicação.
Na maioria dos casos, com apenas uma dose, o medicamento corta a vontade de usar drogas e impede crises de abstinência. “Ela equilibra a quantidade de neurotransmissores que há no cérebro e isso faz com que o paciente tenha uma sensação de bem-estar definitiva, não é só durante o efeito da medicação. A impressão que dá é que a ibogaína interrompe o processo que leva à dependência química”, explica Chaves.
Ao acabar com o interesse pela droga, o paciente tem, segundo o médico, mais facilidade de seguir com outras etapas do tratamento, como o acompanhamento psicológico, e retomar as atividades cotidianas. Ele alerta, no entanto, para que não seja feito o uso independente da substância, que pode ter feitos colaterais, como tontura, enjoo e confusão mental, durante o período de efeito.
O objetivo agora, de acordo com Chaves, é conseguir financiamento para um estudo mais amplo, com um número maior de pacientes e testes que possam mostrar os efeitos da ibogaína no cérebro.

03 junho, 2014

Como Psicodélicos estão salvando vidas

 
 
Vídeo bastante informativo. É importante nos despirmos de nossos preconceitos e perceber que realmente existem mais opções por aí do que gostariam de que soubéssemos....
A citação à ibogaína está aos 3:28 minutos.
 
Créditos:
 
Link original

03 março, 2014

Uma droga alucinógena da África pode curar vícios?


Fontes:
Hyperscience (português)
BBC (inglês)


Você talvez já tenha ouvido falar sobre isso. Nas rodas de conversa desde os anos 1960, alguns cientistas e ex-viciados em drogas defendem um tratamento radical para o vício: um alucinógeno chamado ibogaína, derivado de uma planta africana, que em alguns casos parece diminuir ou acabar com os sintomas de abstinência da heroína, cocaína e álcool.

Mas, se faz esse milagre todo, por que não é amplamente utilizado?



Histórias de sucesso

Por quase 15 anos, a vida de Thillen Naidoo foi governada pela cocaína. Ele cresceu em Chatsworth, um município nos arredores de Durban na África do Sul, cercado por drogas. Depois de uma infância conturbada e da morte de seu pai, ele virou-se para a cocaína.

Frequentemente discutia com sua esposa Saloshna, e às vezes até mesmo a abusava fisicamente. Até o momento em que conheceu
o Dr. Anwar Jeewa, em um centro de reabilitação em Chatsworth, Naidoo havia tentado parar de se drogar várias vezes e falhado.

Jeewa ofereceu-lhe uma solução radical: uma droga alucinógena utilizada em cerimônias tribais da África Central que acaba com o desejo de drogas. Naidoo estava ansioso. “Eu não sabia o que era ibogaína, nunca esperei que funcionasse”, disse.

Depois de vários exames médicos, ele recebeu uma pílula. Em pouco tempo, começou a alucinar. Ele viu enxames de peixes voadores sobre sua cabeça, sentiu a sala em torno dele se mover e um zumbido constante tocava em seus ouvidos. Cenas de sua infância piscaram brevemente diante de seus olhos.

Cada vez que alguém se aproximava para verificar se ele estava bem, ele sentia uma onda de medo.

O efeito alucinógeno foi passando durante a noite, mas nos próximos dias, Naidoo se sentiu estranho. Quando voltou para casa uma semana depois, percebeu que já não ansiava cocaína. Seis meses depois, ele ainda está sóbrio.

Ele frequenta um grupo de terapia de dois dias por semana, onde aprende as habilidades necessárias para manter um estilo de vida sem drogas. “Minha mente mudou. Eu nem posso olhar para trás e lidar com essas questões sem chorar e sentir pena de mim mesmo”, conta.

A história do alucinógeno

Jeewa estima que já tratou cerca de 1.000 pessoas com ibogaína. Entretanto, a substância permanece em grande parte não reconhecida pela maioria da classe médica.

A droga, derivada da raiz de uma planta chamada iboga, é usada há séculos pelos povos Bwiti do Gabão e Camarões, como parte de uma cerimônia de iniciação tribal.

Mas não foi até 1962, quando um jovem viciado em heroína chamado Howard Lotsof se deparou com a ibogaína, que seu valor como um tratamento da dependência foi descoberto.

Lotsof percebeu, após usar a planta, que não tinha mais compulsão por heroína. Ele se convenceu de que tinha encontrado a solução para o vício e dedicou boa parte de sua vida à promoção da ibogaína como um tratamento.

O que a ciência tem a dizer

Na visão dos cientistas, a ibogaína afeta o cérebro de duas maneiras distintas. A primeira é metabólica. Ela cria uma proteína que bloqueia os receptores no cérebro que despertam desejo, parando os sintomas da abstinência.

“A ibogaína tende a acabar com a abstinência imediatamente, trazendo as pessoas de volta ao seu estágio de pré-dependência”, diz Jeewa. Na desintoxicação normal, este processo pode levar meses.

Seu segundo efeito é muito menos entendido. Ela parece inspirar um estado de sonho que é intensamente introspectivo, permitindo que os viciados pensem sobre problemas em sua vida que eles usam o álcool ou as drogas para suprimir.

Mesmo assim, a ibogaína teve pouco sucesso e foi proibida nos EUA, junto com a psilocibina (cogumelos) e LSD, em 1967. Na maioria dos outros países, a substância continua não regulamentada e não licenciada.

Lotsof montou uma clínica privada na Holanda na década de 1980 para tratar com a substância, e desde então clínicas semelhantes surgiram no Canadá, México e África do Sul. Essas clínicas operam em uma “área confusa”, legalmente falando.

Estudos e resultados

Um pequeno grupo de cientistas ainda está trabalhando para tornar a ibogaína um tratamento padrão.

No início de 1990, Deborah Mash, neurocientista e especialista em dependência da Universidade de Miami, EUA, descobriu o trabalho do Dr. Stanley Glick, um cientista que havia pesquisado o efeito da ibogaína em ratos.

Glick viciou os ratos em morfina, um analgésico opiáceo, permitindo-lhes que a tomassem através de um tubo. Ele então deu-lhes ibogaína, e descobriu que eles voluntariamente pararam de tomar morfina.

Ao mesmo tempo, Howard Lotsof entrou em contato com Mash e eles começaram a trabalhar juntos. Em 1995, conseguiram aprovação para investigar o seu potencial em seres humanos.

Mas estes testes custam milhões de dólares, e eles não conseguiram subsídio para a pesquisa. Normalmente, esse dinheiro viria de grandes empresas farmacêuticas, mas drogas como a ibogaína oferecem pouco potencial de lucro.

Ela só precisa ser tomada uma vez, ao contrário de tratamentos convencionais para o vício em heroína como a metadona, que é um substituto e viciante em si. Também, as empresas farmacêuticas ganham dinheiro patenteando produtos químicos novos, mas a ibogaína é uma substância que ocorre naturalmente e é difícil obter uma patente sobre isso.

Histórias de horror

A ibogaína também vem com alguns riscos. Ela retarda o ritmo cardíaco e, quando administrada a ratos em doses muito elevadas, danificou o cerebelo, uma parte do cérebro associada com a função motora.
Há 10 mortes sabidamente associadas com a droga. Seu uso desregulado também levou a algumas histórias de terror.

Fóruns online estão repletos de contos onde a ibogaína foi administrada em quartos de hotel ou na casa do paciente, sem apoio médico. Um alcoólatra diz que pagou US$ 10.000 (cerca de R$ 18.300) e ela não funcionou. Sua respiração não foi monitorada e ele não fez nenhum exame ou check-up antes de tomá-la.

A ibogaína também tem um problema de imagem. “Tem muita bagagem política, e muita gente já não acredita em seu potencial”, diz Glick.

Experiência prática

Depois de não conseguir obter financiamento para sua pesquisa, Mash abriu um centro de pesquisa clínica privada na ilha de St. Kitts, no Caribe, em 1996. Lá, ela coletou dados em 300 viciados desintoxicados através da ibogaína.

Ela diz que todos os pacientes apresentaram algum efeito sobre seu vício. 70% entraram em remissão por vários meses e muitos anos. Os dois primeiros pacientes da clínica ainda estão sóbrios, 16 anos depois.

“O vício em cocaína é terrível. Conseguir que as pessoas larguem o crack? Boa sorte. Mas nós fizemos isso, nós conseguimos romper viciados intratáveis”, conta.

Decidida a levar o tratamento a mais pessoas, Mash está agora trabalhando com o setor privado para criar uma versão da droga que será mais atraente para as empresas farmacêuticas.

Ela está trabalhando para isolar a noribogaína, uma substância criada a partir da ibogaína no fígado, que ela acredita ser responsável por inibir desejos, mas sem o efeito alucinógeno.

Porque não estudá-la?

Os cientistas têm poucas esperanças de que a droga seja aprovada nos EUA e lamentam que pesquisa significativa sobre a ibogaína nunca tenha sido feita.

De acordo com um psiquiatra e especialista em dependência, o Dr. Ben Sessa, o momento para esta pesquisa poderia finalmente ser agora. Nos últimos dois anos, ocorreu os primeiros estudos científicos publicados sobre o uso de MDMA (ecstasy) em vítimas de trauma, e psilocibina na psicoterapia, e um estudo semelhante sobre LSD está previsto para este ano.

O que é necessário, diz ele, é um único estudo, em que um grupo de viciados tome uma dose padronizada da droga e outro grupo tome um placebo, ambos acompanhados de um plano completo de tratamento de 12 passos de desintoxicação.

Os médicos dizem que, apesar do potencial da ibogaína, as pessoas precisam entender os limites da droga.

“Quando você tem um paciente que está finalmente livre de drogas e cujo cérebro está de volta ao seu pleno potencial, então você pode ajudá-lo a mudar seu estilo de vida”, diz Jeewa. “Mas a ibogaína apenas ajuda a interromper o vício, não é uma cura mágica. Tem que ser tomada no ambiente certo, e seguida por tratamento e atenção psicossocial”, finaliza.[BBC]

Meu comentário: excelente artigo, bem escrito, realista. Apenas uma correção: A ibogaína não é exatamente um alucinógeno, esse erro é comum, ela na verdade é uma substância onirofrênica (que induz ao sonho).
Maiores explicações sobre esse assunto aqui.

Fora isso, a tradução deixou para trás dados importantes que constam do original em inglês, então vou me reservar o direito de eu mesmo traduzir e incluir no artigo acima, tão logo seja possível.

Fonte:
Hyperscience (português)
BBC (inglês)




20 fevereiro, 2014

Mortes poderiam ser prevenidas


Fonte: internet


Aqui está o link para uma interessante reportagem (por enquanto em inglês, não tive tempo de traduzir) sobre como as mortes de muitas pessoas (inclusive  a recente morte do ator Phillip Seymor Hoffman) poderiam ser evitadas se a ibogaína estivesse disponível nos EUA. Mas infelizmente, devido a interesses das multibilionárias indústrias farmacêuticas, as pessoas continuam sem opções eficazes para se tratar, sendo obrigadas a aderirem a programas ineficientes , recaindo, e morrendo de overdose. Quando será que os governos vão acordar??

01 fevereiro, 2014

Ibogaine Explained - A Ibogaína explicada






Interessante livro sobre ibogaína, infelizmente, por enquanto, apenas disponível em inglês. Fala sobre a história, as pesquisas científicas, como os tratamentos funcionam, e como fazer o tratamento ser o mais produtivo possível nas semanas e meses que o seguem.

O autor, Peter Frank, fala de primeira mão, já tendo sido submetido ao tratamento e já tendo tambem ajudado inúmeras pessoas com a sua experiência.



Disponível para compra na AMAZON

Aqui neste link o site do livro




30 janeiro, 2014

Desmistificando a Ibogaína

 

Estamos republicando esta postagem, pois de todas as postagens do Blog, é a mais lida. Inclusive tem sido compartilhada em inúmeros outros blogs, às vezes até, sem citação da fonte. Mas como algumas pessoas têm tido dificuldade de encontrá-la, aqui está novamente.

Muito se tem falado a respeito da Ibogaína aqui no Brasil nos últimos tempos... bem e mal, com discussões apaixonadas, e, às vezes, desprovidas de cunho científico e repletas de preconceito.

Para quem não sabe, Ibogaína é uma substância extraída da planta Tabernanthe iboga, originária do Gabão, e planta sagrada utilizada nos rituais da religião Bwiti, religião e rituais estes existentes desde a pré-história. Em 1962 Howard Lotsof, na época dependente de heroína, descobriu que uma única dose de Ibogaína foi suficiente para curar a dependência sua e de alguns amigos. A partir daí surgiu com força uma rede internacional de provedores de tratamentos para dependência em todo o mundo, alguns oficiais, outros underground. Desde essa época até hoje cerca de 19.000 pessoas já fizeram o uso médico da substância, com resultados, em sua maioria, muito bons. Realmente os efeitos são surpreendentes, e, em muitos casos, ocorre uma melhora do quadro de dependência significativa, em apenas 24 horas.

Como tudo que é diferente, e como tudo que é inovador, existem também em relação à Ibogaína controvérsias e dúvidas, que tem origem na desinformação e no preconceito, e algumas vezes também em interesses econômicos. Este texto visa esclarecer as dúvidas e orientar as pessoas sobre o assunto. É interessante o fato de que a maioria das pessoas que é contra esse tratamento, não sabe absolutamente nada a respeito, mesmo alguns sendo renomados profissionais da área. É o estilo “não li e não gostei”. Na área da dependência química no Brasil, alguns egos são imensos.

Sempre que se fala de Ibogaína, cita-se o fato de a mesma ser proibida nos Estados Unidos e em mais 3 ou 4 países, sendo em todos os outros (inclusive no Brasil) isso não ocorre. Pelo contrário, o Brasil é um dos pioneiros nesse tratamento e os profissionais envolvidos, apesar de pouco conhecidos aqui, têm reconhecimento internacional. Essa proibição da Ibogaína em poucos países deve-se à desinformação e a interesses econômicos e políticos.

Primeiramente, essa medicação não interessa à grande indústria farmacêutica, visto ser derivada de plantas, com a patente de 1962 já expirada, tendo, portanto, um baixo potencial de lucro.

Alem disso, em muitos locais, o preconceito contra os dependentes faz com que eles sejam vistos como pessoas que não merecem serem tratadas e sim presas ou escorraçadas. Assim sendo, o fato da Ibogaína ter sido descoberta por um dependente químico, para algumas pessoas, já a desqualifica.

Fora isso, o falso conceito de que a planta é alucinógena, gera uma quase histeria em determinados profissionais da área, que mal informados, com má vontade, e baseados em informações conflitantes pinçadas na internet, repassam informações errôneas adiante. A Ibogaína não é alucinógena, é onirofrênica, (Naranjo, 1974; Goutarel, Gollnhofer, and Sillans 1993), ou talvez seja melhor dizer, remogênica, ela estimula a mente de maneira a fazer com que o cérebro sonhe, mesmo com a pessoa acordada. Isso é comprovado por inúmeros estudos ao redor do mundo, mas é fácil confirmar, basta fazer um eletroencefalograma (EEG) durante o efeito da substância pra se ver que o padrão que vai aparecer é o do sono REM, não de alucinações. Alem disso, a ibogaína não se liga ao receptor 5HT 2a, o alvo clássico de alucinógenos como LSD, por exemplo.

Outra crítica relacionada à Ibogaína, que é sempre citada, são as até agora 14 mortes que ocorreram, em 48 anos, como comentado acima, em cerca de 19000 tratamentos realizados. Isso dá menos de 1 fatalidade em cada 1000 tratamentos, número muito menor por exemplo do que as fatalidades provocadas por metadona, que é outra substância utilizada no tratamento da adicção, e que é de 1 fatalidade para cada 350 tratamentos.
O detalhe, sempre deixado de lado pelos detratores da Ibogaína, é que em todos os casos de fatalidades registrados, comprovadamente se detectou o uso sub-reptício concomitante de heroína, cocaína e/ou álcool, confirmado por necropsia, o que nos leva à conclusão de que não existem fatalidades relacionadas à Ibogaína e sim à heroína/cocaína/álcool e à mistura dessas substâncias... além disso, poucas coisas no mundo são mais mortais do que usar drogas.. isso sim é perigoso.

Mais outra crítica é sobre o uso em humanos, sendo que no Gabão, há 5000 anos humanos já usam a substância em seus rituais, sem problemas. Já foram feitos vários trabalhos científicos, por cientistas renomados, que comprovam a baixa toxicidade e a segurança do tratamento, desde que feito dentro dos protocolos.

A taxa média de eficácia da Ibogaína para tratamento da dependência de crack é de 70 a 80%, que é altíssima, principalmente se lembrarmos que, além de ser uma doença gravíssima, as taxas de sucesso dos tratamentos tradicionais é de 5%. Incrivelmente, essa taxa de 80% também é alvo de críticas... Porque não são 100%, eles dizem? Já que é tão bom, porque não cura todo mundo? Ora, nenhum tratamento médico é 100%, existem variáveis ponderáveis e imponderáveis que influenciam a evolução dos pacientes, como motivação, características individuais de cada paciente, preparação adequada, com psicoterapia pré e pós tratamento de alto nível, tudo isso faz com que haja variações na eficácia. O fato é que a Ibogaína é hoje, de longe, o tratamento mais eficaz contra a dependência que se tem notícia, em toda a história da humanidade. Feito com os cuidados necessários, é seguro, eficaz, e não existem relatos de seqüelas, nem físicas, nem psicológicas.
Estudos em fase de publicação mostram que a eficácia do tratamento sério, bem feito, é de 72%.

Assim sendo, pessoas que vivem da cronicidade da doença, para as quais não interessa que haja cura e sim perpetuação do quadro, e assim, indiretamente, perpetuação dos lucros, se insurgem contra ela.

Em toda a história da humanidade, as inovações, as mudanças de paradigma, sempre foram combatidas.

E apenas mais um detalhe: as outras opções de tratamento, são bastante ineficazes, para que se possa dar ao luxo de não dar à ibogaína a atenção que ela merece.






Postado em 20/02/2010
Atualizado em 08/12/2010, 17/06/2011, 07/07/2011,em 30/01/2014 e 20/06/2014

28 janeiro, 2014

Cuidado com os tratamentos piratas!!!

Venho hoje comentar sobre a grande variação na qualidade das substâncias vendidas e fornecidas por aí, como se fossem ibogaína. Já expliquei em postagens anteriores que só existe uma ibogaína medicinal, fabricada segundo as "boas práticas de manufatura" ou "Good Manufacturing Practices, GMP", que é o padrão para medicamentos em todo o mundo. A medicação GMP é a ideal para ser usada, é pura, sem contaminantes e muito menos tóxica que as não GMP ou piratas como são chamadas.

Preocupados com essa grande oferta pela internet e por clínicas espalhadas pelo mundo (inclusive no Brasil) que oferecem substâncias de origem desconhecida, e sabendo de vários casos ocorridos na Europa e Estados Unidos, onde pessoas tiveram de ser hospitalizadas após ingerir essas ibogaínas "piratas", a ICEERS, uma ONG holandesa que promove conhecimento sobre plantas medicinais, ibogaína e ayahuasca, iniciou o Projeto de Análise de Iboga, visando como o nome diz, analisar em laboratório a composição de amostras de ibogaína fornecidas em todo o mundo. As conclusões são preocupantes, pois a maioria das amostras tinha contaminantes vários, substâncias que ingeridas poderiam causar reações imprevisíveis.
E uma das amostras nem sequer era ibogaína, o que é um problema para o qual temos alertado ultimamente... existe gente por aí (aqui no Brasil tambem!!) vendendo gato por lebre, ou seja, a pessoa acha que vai tomar ibogaína e na verdade está tomando sabe-se lá o que.

Aqui está o link para os resultados da pesquisa (em inglês)

Você não tem garantia do que está tomando e muito menos idéia do efeito que isso pode causar.

Usar ibogaína é um procedimento delicado para o corpo e para a mente, deve ser realizado em ambiente protegido e monitorado. Evite locais onde esse tratamento é feito por curiosos, que, mesmo bem intencionados, são inexperientes, não tem a formação adequada e usam produtos não confiáveis.

Leia os posts anteriores onde se explica bem essa questão da segurança.

03 setembro, 2013

Respeitar a ibogaína!!

       O atual momento da ibogaína merece uma tomada de consciência e um grande senso de responsabilidade das pessoas... Estão aparecendo a cada dia novas pseudo-clínicas, todas alardeando uma experiência e um conhecimento que não possuem, buscando atrair os incautos pacientes e familiares que, desesperados, tentam qualquer coisa sem pensar direito no que estão fazendo.

Como sempre dizemos, o tratamento com ibogaína é um procedimento que não é isento de riscos, deve ser feito em ambiente médico-hospitalar, com o paciente internado, para ser protegido e monitorado. O paciente deve estar limpo de drogas e de remédios por um tempo variável, de acordo com cada situação individual, e deve ser submetido a uma bateria de exames antes do procedimento. E a medicação utilizada, deve ser GMP, ou seja, fabricada segundo as boas práticas farmacêuticas.

Não confie em locais que usam, como diferencial para fazer propaganda, o argumento de que não é necessária internação, nem exames e nem abstinência prévia. Pelo menos  24-48h de internação são necessárias sim, para inclusive  proteger o paciente de qualquer evento adverso .

Existem pessoas que não entendem do assunto e tentam, com essa "facilitação" do tratamento, atrair os desavisados. Mas com essas atitudes colocam em risco a saúde dos pacientes. Muito menos aceite que a medicação seja fornecida para tomar em casa, isso é um risco enorme.

Não confie em locais e sites que dão a entender que a ibogaína é a "cura" da dependência química, isso é simplificar demais um problema sério.

Desde que se descobriram os efeitos anti-dependência da ibogaína, em 1962, ocorreram cerca de 20.000 tratamentos em todo o mundo. Nestes 20.000 tratamentos, ocorreram 19 mortes, todas relacionadas a problemas de saúde prévios ( que teriam sido detectados se o paciente tivesse feito um check-up antes do procedimento) e também a uso de drogas muito perto do uso da ibogaína ( o que teria sido evitado se o paciente estivesse sob vigilância especializada).

Então, não confie em pessoas que menosprezam o poder da substância, que não entendem do assunto e visam apenas lucro.

Não confie tambem em locais que indicam a ibogaína como uma panacéia, que cura tudo, desde a dependência até queda de cabelo. Claramente, isso é uma tentativa de angariar mais pacientes e aumentar os lucros.

Mesmo sendo derivada de uma planta, certos cuidados devem ser tomados. Não é toda medicação derivada de plantas que é "tranquila" ou "fraquinha", quem fala isso demonstra que não entende do assunto.

A ibogaína é muito eficiente, principalmente se comparada aos outros tratamentos disponíveis, mas para atingir bons resultados, é necessária uma expertise que alguns locais que fazem propaganda disseminada não possuem.

Apenas a título de informação, aqui está o link para um trabalho científico comentando essas mortes às quais me referi. Observe como no texto é dito que esses casos todos foram de pacientes com problemas de saúde prévios, usando medicação de origem desconhecida...Exatamente o que se está oferecendo por aí...Isso mostra que não é um exagero tomar certas precauções para que tudo corra bem, não é mesmo?


18 janeiro, 2013

Pensando em tomar ibogaína? Leia isto primeiro

Postagem do ano passado, mas republicada pois é de grande interesse

Existem muitas pessoas que, por ouvir relatos de conhecidos, por pesquisas na internet e por indicação de profissionais da área, resolvem fazer um tratamento com ibogaína. Mas como saber, nessa situação, que o tratamento que está sendo oferecido é de boa qualidade? Que as pessoas envolvidas são corretas e sabem com o que estão lidando? Isso é um problema sério, pois infelizmente nos ultimos meses tem aparecido uma boa quantidade de pessoas, principalmente na internet, oferecendo ou o tratamento com ibogaína ou a substância em si. Então listei abaixo algumas dicas que podem tornar sua decisão mais confiável, e o mais importante, livre de riscos. Para seu bolso e para sua saúde.

O primeiro ponto é, que tipo de ibogaína tomar? Existem as opções de HCL, TA (total alkaloids) e RB (root bark, que é a raiz "in natura"). Em um contexto médico, para tratamentos, o ideal é a ibogaína HCL GMP, ou seja, ibogaína medicinal, o remédio mesmo, com 98 a 99% de pureza, fabricada segundo as boas práticas de manufatura farmacêutica, o que garante essa pureza e a qualidade da substância.

Existe muita pouca quantidade de ibogaína medicinal disponível e o laboratório fabricante NÃO vende pela internet, então aqui vai o primeiro conselho: não compre ibogaína pela internet, você não saberá o que está comprando, pode ser de péssima qualidade ou nem mesmo ser a substância. Isso se entregarem alguma coisa, porque esse pessoal normalmente pede o dinheiro adiantado e não envia a compra. A principal fonte desses golpes é Camarões, mas infelizmente no Brasil eles existem tambem.

A medicação é mesmo cara, então fique atento, lugares que oferecem tratamentos/medicamentos muito baratos não estão oferecendo medicação de boa qualidade.

Segundo ponto importante : onde tomar?
O tratamento para dependência química com ibogaína é considerado um procedimento médico, e como tal, deve ser realizado em ambiente hospitalar e/ou que tenha recursos de hospital. Isso inclui, principalmente, a presença de um profissional médico com experiência no assunto, visto que o simples fato da pessoa ser formada em medicina não lhe gabarita a fazer essa aplicação. É preciso experiência na área, visto que no curso tradicional de medicina nem se toca nesse assunto. Isso é fundamental para a segurança do paciente. Procure tratamentos que ofereçam acompanhamento médico especializado.

Evite lugares onde o tratamento é feito por não médicos, por curiosos, interessados em ganhar um dinheiro em cima do sofrimento dos pacientes. Evite pessoas não experientes (peça que o profissional comprove a experiência, não basta só falar que é experiente). Muitas vezes o que se alega é que são utilizadas doses baixas, o que dispensaria a necessidade da presença do médico. Isso não é verdade. A presença do médico é fundamental SEMPRE, independente da dose.

Clinicas que fazem propaganda disseminada pela internet (Twitter/Youtube/Sites de comércio eletrônico) tambem não são recomendadas, esse comportamento mostra que o que se visa é o lucro, não exatamente o bem estar do paciente.

Existem anuncios na internet de clínicas que de maneira mentirosa se dizem tradicionais e pioneiras na área, quando na verdade trabalham no ramo há poucos meses e veem no tratamento apenas a chance de lucrar, sem saber realmente exatamente o que estão fazendo.Não fazem exames clínicos nem laboratoriais nos pacientes, não avaliam se eventuais medicamentos que o paciente possa estar tomando interferem na aplicação da ibogaína...Chegam a oferecer que o tratamento seja realizado em casa!!!
Existem infelizmente muitos espertinhos visando apenas lucro nessa área, muito cuidado. Tanto se visa o lucro que estão sendo abertas até franquias dessas clínicas, e as mesmas estão fabricando até shampoo de ibogaína, para se ter uma idéia do nível que chega a coisa.Ou seja, vêm a doença dos outros como fonte de lucro apenas.


Cuidados antes da experiência:
Exatamente por ser uma medicação de efeito forte, com vários efeitos colaterais, é preciso uma avaliação clínica adequada do paciente antes do tratamento, a realização de exames médicos e laboratoriais, orientação quanto a eventuais medicamentos que a pessoa possa estar tomando, avaliação psicológica/psiquiátrica prévia e o compromisso de acompanhamento psicológico pós tratamento. Evite lugarem que oferecem soluções mágicas e rápidas, sem preparação pré-tratamento, e sem orientação para acompanhamento pós.

Concluindo:
Qualquer tratamento médico tem um risco inerente ao procedimento; estas orientações visam eliminar os riscos oriundos de tratamentos feitos por pessoas sem competência, com medicação de má qualidade, em ambientes não adequados.
Boa Sorte!!

Desmistificando a Ibogaína

Estou republicando o texto abaixo, pois o mesmo foi publicado neste blog originalmente em Fevereiro de 2010, e alguns leitores estão tendo dificuldade para encontrá-lo nos arquivos

Desmistificando a Ibogaína
Muito se tem falado a respeito da Ibogaína aqui no Brasil nos últimos tempos... bem e mal, com discussões apaixonadas, e, às vezes, desprovidas de cunho científico e repletas de preconceito.

Para quem não sabe, Ibogaína é uma substância extraída da planta Tabernanthe iboga, originária do Gabão, e planta sagrada utilizada nos rituais da religião Bwiti, religião e rituais estes existentes desde a pré-história. Em 1962 Howard Lotsof, na época dependente de heroína, descobriu que uma única dose de Ibogaína foi suficiente para curar a dependência sua e de alguns amigos. A partir daí surgiu com força uma rede internacional de provedores de tratamentos para dependência em todo o mundo, alguns oficiais, outros underground. Desde essa época até hoje cerca de 15.000 pessoas já fizeram o uso médico da substância, com resultados, em sua maioria, muito bons. Realmente os efeitos são surpreendentes, e, em muitos casos, ocorre uma melhora do quadro de dependência significativa, em apenas 24 horas.

Como tudo que é diferente, e como tudo que é inovador, existem também em relação à Ibogaína controvérsias e dúvidas, que tem origem na desinformação e no preconceito, e algumas vezes também em interesses econômicos. Este texto visa esclarecer as dúvidas e orientar as pessoas sobre o assunto. É interessante o fato de que a maioria das pessoas que é contra esse tratamento, não sabe absolutamente nada a respeito, mesmo alguns sendo renomados profissionais da área. É o estilo “não li e não gostei”. Na área da dependência química no Brasil, alguns egos são imensos.

Sempre que se fala de Ibogaína, cita-se o fato de a mesma ser proibida nos Estados Unidos e em mais 3 ou 4 países, sendo em todos os outros (inclusive no Brasil) isso não ocorre. Pelo contrário, o Brasil é um dos pioneiros nesse tratamento e os profissionais envolvidos, apesar de pouco conhecidos aqui, têm reconhecimento internacional. Essa proibição da Ibogaína em poucos países deve-se à desinformação e a interesses econômicos e políticos.

Primeiramente, essa medicação não interessa à grande indústria farmacêutica, visto ser derivada de plantas, com a patente de 1962 já expirada, tendo, portanto, um baixo potencial de lucro.

Alem disso, em muitos locais, o preconceito contra os dependentes faz com que eles sejam vistos como pessoas que não merecem serem tratadas e sim presas ou escorraçadas. Assim sendo, o fato da Ibogaína ter sido descoberta por um dependente químico, para algumas pessoas, já a desqualifica.

Fora isso, o falso conceito de que a planta é alucinógena, gera uma quase histeria em determinados profissionais da área, que mal informados, com má vontade, e baseados em informações conflitantes pinçadas na internet, repassam informações errôneas adiante. A Ibogaína não é exatamente alucinógena, é onirofrênica, (Naranjo, 1974; Goutarel, Gollnhofer, and Sillans 1993), ou talvez seja melhor dizer, remogênica, ela estimula a mente de maneira a fazer com que o cérebro sonhe, mesmo com a pessoa acordada. Isso é comprovado por inúmeros estudos ao redor do mundo, mas é fácil confirmar, basta fazer um eletroencefalograma (EEG) durante o efeito da substância pra se ver que o padrão que vai aparecer é o do sono REM, não de alucinações. Alem disso, a ibogaína não se liga ao receptor 5HT 2a, o alvo clássico de alucinógenos como LSD, por exemplo.

Outra crítica relacionada à Ibogaína, que é sempre citada, são as até agora 14 mortes que ocorreram, em 48 anos, como comentado acima, em cerca de 15000 tratamentos realizados. Isso dá menos de 1 fatalidade em cada 1000 tratamentos, número muito menor por exemplo do que as fatalidades provocadas por metadona, que é outra substância utilizada no tratamento da adicção, e que é de 1 fatalidade para cada 350 tratamentos.
O detalhe, sempre deixado de lado pelos detratores da Ibogaína, é que em todos os casos de fatalidades registrados, comprovadamente se detectou o uso sub-reptício concomitante de heroína, cocaína e/ou álcool, confirmado por necropsia, o que nos leva à conclusão de que não existem fatalidades relacionadas à Ibogaína e sim à heroína/cocaína/álcool e à mistura dessas substâncias... além disso, poucas coisas no mundo são mais mortais do que usar drogas.. isso sim é perigoso.

Mais outra crítica é sobre o uso em humanos, sendo que no Gabão, há 5000 anos humanos já usam a substância em seus rituais, sem problemas. Já foram feitos vários trabalhos científicos, por cientistas renomados, que comprovam a baixa toxicidade e a segurança do tratamento, desde que feito dentro dos protocolos.

A taxa média de eficácia da Ibogaína para tratamento da dependência de crack é de 70 a 80%, que é altíssima, principalmente se lembrarmos que, além de ser uma doença gravíssima, as taxas de sucesso dos tratamentos tradicionais é de 5%. Incrivelmente, essa taxa de 80% também é alvo de críticas... Porque não são 100%, eles dizem? Já que é tão bom, porque não cura todo mundo? Ora, nenhum tratamento médico é 100%, existem variáveis ponderáveis e imponderáveis que influenciam a evolução dos pacientes, como motivação, características individuais de cada paciente, preparação adequada, com psicoterapia pré e pós tratamento de alto nível, tudo isso faz com que haja variações na eficácia. O fato é que a Ibogaína é hoje, de longe, o tratamento mais eficaz contra a dependência que se tem notícia, em toda a história da humanidade. Feito com os cuidados necessários, é seguro, eficaz, e não existem relatos de seqüelas, nem físicas, nem psicológicas.

Assim sendo, pessoas que vivem da cronicidade da doença, para as quais não interessa que haja cura e sim perpetuação do quadro, e assim, indiretamente, perpetuação dos lucros, se insurgem contra ela.

Em toda a história da humanidade, as inovações, as mudanças de paradigma, sempre foram combatidas.

E apenas mais um detalhe: as outras opções de tratamento, são bastante ineficazes, para que se possa dar ao luxo de não dar à ibogaína a atenção que ela merece.

Postado em 20/02/2010
Atualizado em 08/12/2010, em 17/06/2011,em 07/07/2011 e em 18/01/2013